Why austerity is a lousy idea

Via Que Treta!

22 responses to “Why austerity is a lousy idea

  1. Já tinha visto este vídeo algures a meados de Outubro, não conhecia a proveniência do Watson Institute.

    Não concordo com partes do que ele diz, mas gosto da edição feita, dos effects acrescentados. : )

  2. Sim eu também vi o vídeo há algum tempo, e não sei é se percebo tudo o que ele diz…. Em particular, com o quê que ele diz é que não concordas?

  3. Lol. Só agora vi o teu comment.

    Não concordo com o que ele diz sobre finanças públicas e privadas. Balançar ambos não é mau, mau é que todos os países usem a mesma medida, pois torna a medida irrelevante para quem realmente precisa de recuperar a economia. = x

    Políticas económicas de direita… : \

  4. Estás a contradizer-te: é mau que todos os países usem a mesma medida porque se todos pouparem, ninguém injecta dinheiro na economia (ninguém gasta), o que prejudica todos os países, mas mais aqueles que já têm a economia na lama. Do mesmo modo, para a economia de um dado país, se tanto o sector público como o privado decidem poupar, ninguém injecta dinheiro na economia, o que dá cabo da mesma. O que faz disparar o desemprego, e quem fica mais prejudicado, é quem depende dos serviços públicos, como o autor explica no vídeo. Repara que se toda a gente tiver as finanças limpas (i.e. sem qualquer dívida) isso significa que não existe economia, pois não existe dinheiro a circular (i.e. ninguém têm dívidas). É a tal “fallacy of compositon” que refere o autor: o que é bom para uma parte (ter as contas em dia) é mau para o todo (se toda a gente tem as contas em dia, a economia morre). Se não viste um documentário chamado “money as debt”, vê, é muito bom, e explica isso mesmo, que o dinheiro é, do ponto de vista da banca, dívida.

    E eu já não sei o que são políticas económicas de direita ou esquerda… em bem digo que o uso desse termo que foi legado da revolução francesa só acrescenta mais confusão…

  5. Não me contradisse. Lê lá bem. lol.

    Do ponto de vista da banca o dinheiro – como conceito de valor real – nem existe, existe dívida, eu conheço bem esse tipo de documentários. Isto porque vi à uns anos o Zeitgeist e pesquisei para ver se as alegações deste tinham um fundo de verdade. : )

    Quanto a políticas económicas, basicamente diz-se de esquerda quando o estado tem algum controlo sobre a banca, diz-se de direita quando esse controlo – através de privatizações – passa a privados.

    Sou um leigo na matéria, mas o Gonçalo domina isto e mantém-me ao corrente. =)

  6. Erm, primeiro dizes que “Balançar ambos[finanças públicas e privadas] não é mau”, mas logo a seguir dizes que “mau é que todos os países usem a mesma medida, pois torna a medida irrelevante”. Isto é uma contradição, porque do mesmo modo que as finanças públicas e privadas no seu conjunto representam a economia de um país, também as finanças dos vários países no seu conjunto representam a economia desse conjunto de países (em linguagem *muito* informal, lol). E do mesmo modo como se todos os países fizerem o mesmo (sanearem as finanças) a medida é irrelevante, também se dentro do mesmo país, público e privado sanearem as finanças, essa medida fica igualmente irrelevante. Resumindo, a contradição é que tu dizes que a economia ao nível do conjunto de países é diferente da economia de um país só, o que no caso particular da acção de sanear as finanças das diferentes entidades que compõem uma economia não acontece.

  7. Humm, já agora, podes aproveitar e perguntar ao Gonçalo porque é que é prática tão comum, tanto em Portugal e além fronteiras, a de tratar os bancos como se fossem uma espécie de divindade económica: quando dão lucro, privatizam-se (isto é, o lucro vai para os privados), mas quando dão prejuízo (apesar de terem um dos modelos de negócio mais estáveis que se conhece—o empréstimo cobrando juros), nacionalizam-se (ou seja, são os contribuintes que pagam o prejuízo)?? Dito de outro modo, porque carga de água não se há-de tratar um banco como um negócio normal, ou seja, deixá-lo falir? (e de antemão, avisa-se o pessoal que 1) há um banco no qual a guita é garantida pelo estado (no nosso caso seria a CGD), e 2) quem puser a guita noutro lado, está por sua conta e risco) Longe de perfeita, seria uma situação mais justa do que se tem actualmente… IMHO…

  8. Ehh, é um artigo interessante, mas talvez demasiado superficial… em particular deixa de fora duas coisas que deviam ser incluídas: sistemas híbridos e assinaturas digitais. Mas bom artigo apesar disso🙂

  9. bem ja sabes, agora sempre que vir algo do género lembrar-me-ei sempre de ti:P depois a questão do útil ou não útil fico mesmo a teu critério :P:P

  10. LOL. Mas como já ando a estudar isto há uns anos, o mais provável é que se for um artigo de duas páginas ou menos, não diga nada que eu já não saiba…

    Mas podes continuar a mandar os links à vontade😉

  11. Ah, ok. Vejo o teu ponto de vista. Mas eu não disse um como consequência do outro.

    Separa as coisas! Balançar as finanças públicas e as privadas não é mau (isto é uma coisa), mau é que todos os países da zona Euro implementem medidas de austeridade iguais (isto é outro coisa). Perguntaste que coisas achava erradas no filme, e eu considero estas erradas.

    Isto é como uma empresa que tem demasiado produto para vender, mas como usa os mesmos preços que a concorrência e tem menos nome/visibilidade não consegue escoar tudo. Portanto mete o seu produto a metade do preço. Isto só vai funcionar se as outras empresas não fizerem o mesmo.

    De uma forma básica, isto explica o porquê de não se poderem adoptar as mesmas medidas de austeridade e porque é que fazer isso na UE é errado. Podemos ter a mesma moeda, mas não se podem tratar todos os países da mesma forma. Se Portugal adopta medidas extremas para balançar a dívida pública e a Alemanha adopta as mesmas medidas, as medidas tomadas em Portugal tornam-se irrelevantes pois a diferença continua a existir.

    E como não podemos mexer na moeda (o BCE não deixa, está nos seus estatutos!) temos de mexer nos impostos. Isto afasta empresas e arruína o povo… Portanto ya, é mau que todos os países adoptem ‘esta’ austeridade.

    Quanto a balançar simultaneamente as finanças tanto públicas como privadas, isso não é necessariamente mau. Considera-se que pode ser mau porque a economia pode estagnar visto que “The spice must flow”. Se não há movimentação de dinheiro, leia-se dívida, as economias estagnam (eu tampouco disse que seria bom. lol).

    Enfim, a ideia era acentuar que ‘roubar chupas a crianças não é mau, mau é matar 20 pessoas à pedrada todos os dias’. Uma não implica a outra.

    Quanto a essas políticas de privatização, são as políticas económicas chamadas ‘de direita’ que até os partidos políticos de esquerda usam – 90% do mundo usa – quando está provado já à 80 anos que são políticas que não funcionam, pois basta que um abalo mais forte surja para que se instalem crises. O estado deve ter um controlo de empresas com interesse público.

    E os bancos não são empresas normais, basta ver o trabalho que é preciso em termos burocráticos para abrir um. O problema é que os bancos nunca operam sozinhos e se um tem problemas há alguns que podem também ter problemas… um exemplo é que 30% da ajuda europeia à Irlanda foi para os bancos e não para o Estado.

    Enfim, há muito a discutir sobre isso. O Gonçalo não tem vindo a CB, tem estado por aí. Eu até o percebo, o tempo aí (Lisboa) é bem mais ameno. : (

  12. O Gonçalo não tem vindo a CB, tem estado por aí. Eu até o percebo, o tempo aí (Lisboa) é bem mais ameno. : (

    Bem podes dizê-lo, estou em casa com um pólo e tenho calor! (sem aquecimento que seja ligado!)

    Agora não posso responder deadline amanha! Logo trato disso😉

    []

  13. Ah, eis então o ponto da discórdia:

    Separa as coisas! Balançar as finanças públicas e as privadas não é mau (isto é uma coisa), mau é que todos os países da zona Euro implementem medidas de austeridade iguais (isto é outro [sic] coisa).

    Assentemos algum common ground:
    1) dado que existe dívida por todo o lado, balançar as finanças == medidas de austeridade. Concordas?

    Assumindo que sim, vamos à situação dos países da zona euro. É mau que todos implementem medidas de austeridade ao mesmo tempo. Porquê? Porque se tal acontecer, isso significa que ninguém está a comprar (importar), o que prejudica a todos que querem vender (exportar), mas penaliza mais a quem depende mais das exportações, como os países com défices considerados excessivos. Até aqui, concordas comigo?🙂

    Novamente assumindo que assim é (senão fico sem nada para escrever :P) vamos transpor o cenário para o caso de uma nação, em que a economia se divide em dois grandes “blocos”: público e privado. Se ambos quiserem por as finanças em ordem, para os privados isso significa não gastar (já que não têm a opção de aumentar as receitas). Para o público (i.e. Estado), ao contrário, para controlar as finanças pode por um lado gastar menos, e por outro, subir as receitas (impostos). Em qualquer dos casos, se tanto público como privado entrarem em regime de finanças, o que sucede é que:
    – como os privados não gastam, os empregos mais precários desaparecem.
    – como o Estado das duas uma: ou corta serviços, ou aumenta os impostos, quem sai mais prejudicado, é quem mais precisa, do emprego, dos serviços, e dos €€ a menos no fim do mês, que passam para o Estado.

    A alternativa que ele propõe no filme, é em alturas de crise, o Estado tomar o lugar dos privados, e investir (gastar). Daqui resulta a semelhança com cenário internacional.

    Como não te deve ser difícil adivinhar, o que eu faria seria mudar de raiz o sistema económico, algo do tipo Venus project, porque o sistema actual é, *por definição* insustentável. Não deixa de me surpreender como é que mais gente não se apercebe disto…

    Quanto aos bancos, sim são diferentes, mas porquê? O que justifica que se lhes dê tantos privilégios? (em particular a quase divina garantia que estão sempre protegidos da falência…)

  14. Concordo com tudo o que disseste. Salientar que:

    Todo o dinheiro é dívida hoje em dia… há muito que o dinheiro não vale o que deveria.

    Nós só temos é balançado as dívidas / finanças públicas. Até porque não é possível controlar as privadas. O estado não tem qualquer controlo nisso. As próprias medidas de austeridade impostas (aumento dos impostos) servem apenas para controlar as dívidas públicas.

    Noutro ponto:
    Estranhamente, existem 3 países na Europa com governos socialistas: Espanha, Portugal e Grécia. São países cuja política económica tem sido de direita (privatizar quando há lucro, uma estupidez.) e que têm sido atacados pelas empresas americanas de Rating (que são empresas privadas que avaliam o valor da dívida pública dos países, isentamente dizem eles… lol).

    O sistema económico actual está corrupto, não serve para mais que enriquecer uma pequena percentagem da população e empobrecer todos os outros. E cada vez as diferenças entre ricos e pobres é mais acentuada. Um verdadeira política de esquerda seria boa para todos, mas é difícil de implementar devido ao estigma do socialismo (que não tem exactamente que ver com políticas económicas de esquerda, há políticas e políticas económicas).

    Portanto têm de se procurar alternativas. E devem existir… mas…

    O maior problema de Portugal é que não existem empresas do sector primário,e existem poucas do secundário… Somos um país que vive de serviços e burocracias! =x

    Enfim, eu concordo com o que disseste. : )

    Os bancos são especiais mas o BNP não faliu? :p

  15. Suponho que te estejas a referir ao BPN🙂 e sim, ele iria falir, se o tivessem deixado! Isto é, se não tivessem nacionalizado. Agora pertence ao estado, está com as contas (aparentemente) saneadas, e ninguém o quer. Ou seja, mais guito do erário pelo buraco negro abaixo…

    Quanto aos governos socialistas, não sei o suficiente para avaliar o verdadeiro significado dessa correspondência.

    E eu não chamaria ao sistema actual corrupto, pelo seguinte: o sistema actual, capitalismo, versão neo-liberal, está a fazer o que faz o capitalismo neo-liberal: deixa o mercado evoluir sem grande controlo, com o resultado esperado, viz. a riqueza atrai mais investimento e riqueza, e vice-versa para a pobreza. Com a consequência imediata de aumentar cada vez a diferença entre ricos e pobres. O papel do Estado devia ser deixar o mercado funcionar por si, mas depois garantir a justa redistribuição da riqueza. Mas isso não acontece, nem vai acontecer, com o sistema actual. Porque este último não está corrupto, mas sim errado!

    Somos um país que vive de serviços e burocracias! =x

    Que infelizmente não são bens transaccionáveis…

    Finalmente, é precisamente por o Estado não ter controlo no endividamento privado, e no que as empresas de rating dizem, que devia estar organizado de tal modo a não depender destas. Ou pelo menos não depender tanto! Caso contrário, a soberania é uma inocente ilusão…

    E sim, é melhor continuar a conversa no café, até porque a posta seguinte já está no forno!😀

  16. BPN, sim. lol. Eu tinha escrito inicialmente BPN, mas por alguma razão desconhecida alterei na última verificação. :p

    Só sei que conseguimos aqui uma conversa que merecia ser publicada no Diário de Notícias. Muahahahahahhaahhaha. xD

    Vá lá, com quem lá escreve… acho que também merecemos um ou outro artigo!

  17. LoL. Eu já ficava contente se isto contribuísse para lançar a discussão sobre que tipo de sistema económico queremos para o futuro. É que toda a gente discute a “crise”, mas as economias são criações humanas. Se um sistema não serve, cria-se outro. E o actual, há muito que passou do prazo.

    Ás vezes penso se não devia ter ido para economia… LoL naa… I kid, I kid xD
    Mas ficar com o nome no DN, era muito nice sim senhor xD