Portugal outra vez

Se não tivesse lido no Público, juro que não acreditava:

A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado. O presidente da junta, citado pela TSF, já garantiu que não vai pagar a multa.

Pelas mais variadas razões, algumas das quais tão elementares que quase não merece a pena citá-las, isto só pode ser considerado um disparate. Eu iria ainda mais longe: isto é um incentivo ao não pagamento de impostos. É que o Estado aqui comporta-se como aqueles senhores que João Magueijo descreve como «os idiotas do edifício Sherfield», referindo-se aos burocratas (e respectivo lugar de trabalho) do Imperial College, em Londres, onde ele é docente e investigador (físico). E a respeito destes, disse Mageijo: «Propus certa vez que se continuasse a dar dinheiro aos seus funcionários, mas que estes fossem impedidos de fazer qualquer «trabalho», o que melhoraria em muito a situação.». E aqui jaz a diferença entre os físicos teóricos e os engenheiros: não ponho em causa que impedir o Estado de realizar qualquer «trabalho» (ou quase, sejamos generosos, há alterações que são precisas) melhoraria e em muito a situação do País. Mas se o seu trabalho deixou de ser necessário, então o mesmo deverá aplicar-se aos respectivos salários, que tanto quanto sei são maioritariamente pagos através do erário público. Quase que arriscava dizer que privar o Estado dos impostos tornou-se num necessário acto de desobediência civil. Podia ser que assim aprendessem…

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