ACTA Dead! (e mais um par de coisas)

Em primeiro lugar, ACTA got sent to the dustbin of history (maybe not for good, but one can hope). O Parlamento Europeu esmagou a ACTA, com 478 votos contra e apenas 39 a favor. E muito me surpreendeu ver que dos 22 MEPs tugas, 16 votaram contra a ACTA, incluindo o Paulo Rangel! Quem diz os milagres não acontecem?

Depois, mesmo com a ACTA morta, não faltam batalhas. Sobre isso, cá ficam dois vídeos.

Last, but surely not least, parece o bosão de Higgs finalmente apareceu! More on this later.

Busy day!

Comentários desligados Publicado em Coisas

ACTA

Suspeito que os leitores regulares aqui do tasco já saberão o que é a ACTA, e porque devemos lutar contra esse abjecto pedaço de legislação que tenta aplicar a lei americana para lá das fronteiras desse país. (quem não souber, pode ver o vídeo que está aqui).

A votação final no Parlamento Europeu é já no início do próximo mês. Se for rejeitado, o ACTA fica definitivamente morto. Se for aprovado, bem, suspeito que nem Orwell saberia descrever o que aí vem…

Por isso, seguindo a sugestão do Rick Falkvinge, escrevi para lá a dizer o que penso do ACTA. Aconselho que todos façam o mesmo:

Every Member of European Parliament (MEP) and assistant I have spoken to have said the same thing – the calls and mails from ordinary, concerned citizens have made all the difference. This is not obvious when looking from the outside, but as I walked around in the European Parliament last week, that impression was stronger than I had ever anticipated.

O que escrevi pode ser lido aqui. Se alguém quiser o source em LaTeX, deixe aqui um comentário. Vamos a eles!!

Comentários desligados Publicado em Coisas

Transportes…

 

Não sei o que pensar disto. Por um lado, se for verdade, os privilégios dados aos trabalhadores dos transportes não têm de facto, paralelo, nem no público, nem no privado. E no entanto, se essas benesses são resultado da enorme força que têm os sindicatos dos transportes, o que me apraz perguntar não é porque têm eles essas regalias, mas sim porque é o resto dos trabalhadores não se organiza em sindicatos fortes e reivindica o mesmo?! Porque é que a primeira (e muitas vezes a única) reacção é exigir que arranje a desigualdade nivelando por baixo??! (vide o sistema educativo). Ou para dar outro exemplo, se se pusesse um tuga na ONU encarregue de remediar a fome no mundo, provavelmente diria que a solução era fazer com que toda a gente no mundo passasse fome… *sigh*

Refilofones e companhia.

Costuma-se dizer que o instrumento musical preferido do tuga, é o refilofone. O tuga manda calar os outros, para falar ele—tipicamente, para se queixar dos outros.

Naquela que deve ser umas das suas mais construtivas crónicas (pelo menos desde de que leio a sua coluna no Expresso), Daniel Oliveira propõe uma alternativa: «que nunca mais ninguém parta do princípio que a maioria dos portugueses é pior do que a própria pessoa que fala sobre os portugueses». Reproduzo aqui o texto:

Uma parte dos portugueses gosta de falar para mandar calar os outros. É o caso do senhor reitor da Universidade do Porto, que, numa entrevista, disse: “Acho que se estivéssemos seis meses todos calados, não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos.” Outros são os que, indo a debates vários, desancam nos que vão a debates vários, porque se fala muito neste país e nada se faz. Não faltam anónimos que, em caixas de comentários, redes sociais e fora virtuais, passam o dia a dar o mesmo conselho: calem-se todos. Todos menos eles, que têm, obviamente, coisas interessantes para nos dizer.

Se formos simpáticos, esta ideia nasce de uma outra: a de que a palavra é oposto da ação. É um erro. Sem discussão, discordância, argumentos e conflito pela palavra não se acerta na solução e a ação é pior que não fazer nada. A palavra faz parte da ação. Ela mobiliza, questiona, analisa, põe em causa, promove. Sem ela estamos condenados ao disparate. Palavra que não age é inconsequente, é verdade. Mas ação que não se questiona é irresponsabilidade.

Para além de mandar calar os outros, uma parte dos portugueses passa o seu tempo a mandar os portugueses trabalhar. É um hábito nacional que parte desta estranha presunção: tirando eu, a minha família e, no caso de haver alguma educação, o meu interlocutor, ninguém trabalha neste país. Pior: que o bom trabalhador é o que não questiona e não contesta. São todos preguiçosos, queixinhas, piegas, fala-baratos. Enquanto quem o diz, claro está, se mata a trabalhar. Todos fogem aos impostos. Tirando quem o garante, como é óbvio. Todos são aldrabões. Tirando quem acusa, claro está. Endividaram-se porque foram irresponsáveis. Tirando quem o afirma, evidentemente.

Tenho uma proposta a fazer: que nunca mais ninguém parta do princípio que a maioria dos portugueses é pior do que a própria pessoa que fala sobre os portugueses. A maioria trabalha, é honesta, vive com dificuldades e tem direito à sua opinião. Se pararmos de fazer generalizações idiotas, que servem apenas para atirar para os que mais sofrem a culpa desta crise, e se nunca mais nos atrevermos a mandar calar os outros, como forma de impor o que defendemos sem nos darmos ao trabalho do contraditório, seremos obrigados, finalmente, a discutir o futuro deste país em vez de nos dedicarmos à flagelação de todo um povo. Nesse momento, os verdadeiros responsáveis por esta crise terão um problema.

Comentários desligados Publicado em Coisas

Perna de pau

Num belíssimo exemplo de propaganda e desinformação «sensibilização sobre a pirataria», a Associação Portuguesa de Software (ASSOFT) cita um estudo onde se diz que «anualmente a pirataria tem um impacto de 193 milhões de euros na economia portuguesa.». Curiosamente (ou nem por isso), antes de avançar números, não definem o termo “pirataria”. Provavelmente querem dizer que pirata é todo aquele que não paga pelo software—mesmo aquele software disponibilizado sem qualquer custo. Depois, diz-se que «a redução da taxa de pirataria para os 30% poderia ajudar a criar 4.244 empregos.». Só se forem os funcionários públicos de uma agência específica criada para aplicar a proibição de piratear coisas. Tipo o que a Stasi fazia com o correio: abria-o, via o que lá estava escrito, e se não estivesse lá informação proibida, então não havia problema, lá ia a carta para o seu destino. Se houvesse, mandava-se prender o malfeitor do pirata. Não tenho dúvidas que isto seria maravilhoso para a economia nacional: com o número astronómico de cadeias necessárias para prender esses piratas todos, privatizar o sistema prisional era um mimo aos olhos da troika!

A cereja no topo do bolo é a campanha que adopta como slogan «a pirataria é um tiro no pé… e é por isso que os piratas têm perna de pau!». E mesmo assim, zarolhos, mancos e com pernas de pau—porque obviamente 200 milhões de euros não chegam para comprar próteses em condições—os piratas assustam de tal modo a indústria,  que esta se vê forçada a fazer vídeos onde se queixa que «ninguém parece envergonhar-se de ser pirata». Se tentassem perceber porque é que isto acontece, em vez de andar a perder tempo com choradinhos animados, talvez chegassem a alguma conclusão. Não sei, digo eu…

EDIT: E até vem com formulário e tudo!

Comentários desligados Publicado em Coisas

Os impostos e os ricos

É uma teoria (inacreditavelmente) popular nos Estados Unidos: não se pode taxar os mais ricos, porque são eles que criam empregos. Provar que ela está completamente errada demora pouco menos que seis minutos.

Comentários desligados Publicado em Coisas

Passeava eu por ali…

…quando no blog dos senhores de Princeton, encontrei esta citação de Thomas Jefferson:

That ideas should freely spread from one to another over the globe, for the moral and mutual instruction of man, and improvement of his condition, seems to have been peculiarly and benevolently designed by nature, when she made them, like fire, expansible over all space, without lessening their density in any point, and like the air in which we breathe, move, and have our physical being, incapable of confinement or exclusive appropriation. Inventions then cannot, in nature, be a subject of property.

Como diziam os Romanos: “mortui vivos docent”. Agora falta saber se os vivos conseguem aprender a lição…

Comentários desligados Publicado em Coisas

Censorship is futile

Funniest, most awesome video I’ve seen in a big while!

(O título do post deve-se ao facto de este dever ser interpretado como uma sátira às cada vez maiores tentativas de censurar a internet, ostensivamente para “protecção das crianças”, que são uma completa futilidade…)

Comentários desligados Publicado em Coisas

O que S. Tomás de Aquino…

tem para dizer a Nuno Crato:

. . . all knowledge of any depth, not only philosophizing, begins with amazement. If that is true, then everything depends upon leading the learner to recognize the amazing qualities, the mirandum, the “novelty” of the subject under discussion. If the teacher succeeds in doing this, he has done something more important than and quite different from making knowledge entertaining and interesting. He has, rather, put the learner on the road to genuine questioning.

Votações

Depois de o nosso “querido governo” ter alterado sorrateiramente a lei para impedir as reformas antecipadas, ostensivamente para não por em risco a execução orçamental para este ano, o céptico de serviço ali ao lado fez questão de demolir essa justificação. Nos comentários que se seguiram, existe um onde se lê que

.: Anónimo :.

«O líder da oposição [A.J. Seguro] é, para mim, o exemplo de tudo o que um político não deve ser»

Eu penso que esta frase indica bem o problema, mas talvez não como pretendias :)

O problema é que se vê a oposição como uma, e não como uma data delas. É por isso que a política portuguesa tem sido um ping-pong entre PS e PSD, jogo no qual cada um faz mais m**** do que o anterior porque sabe que um ou dois mandatos mais tarde volta a ser a sua vez. São ou o governo ou “a oposição”.

Há uma data de partidos, e o nosso sistema político admite governos de coligação. Distribuam melhor os votos, tirem aos partidos a garantia de um poleiro façam o que fizerem, e eles forçosamente terão de dar mais ouvidos aos eleitores.

Aqui está uma boa solução, que nem precisa de protestos nem manifestações nem nada de semelhante para ser implementada. Basta que no dia das eleições 1) vão votar (muito importante); e 2) não votem nem em branco (ou nulo), nem em nenhum dos três partidos que nos meteu nesta embrulhada, a saber: PSD, PD e CDS. Ao contrário do que a comunicação social implicitamente transmite, a verdade é que existem 19 partidos legalmente reconhecidos em Portugal. Bem repartidos os votos, dava para constituir uma assembleia muito mais pluralista, que representaria muito melhor o eleitorado. No melhor dos casos, essa pluralidade faria com que apenas obtivessem maioria parlamentar aquelas decisões que realmente beneficiem o país. No pior, pelo menos teríamos um parlamento onde o poder já não saltaria entre PS e PSD (ou entre quaisquer outras duas facções), o que obrigaria os partidos a lutar pela representação parlamentar, ao invés da situação actual, onde esses dois partidos a têm por garantida—com o consequente acumular de disparates sucessivos, que todos infelizmente testemunhamos.

Symmetry, reality’s riddle

Duas vezes durante o vídeo, é referida uma citação de um texto japonês intitulado “Essays on Idleness”, que penso que será do agrado de um certo kendoca que eu cá sei ;-)

Have fun!

Comentários desligados Publicado em Coisas

E quando o lazy dude não sou eu?!

Escreve o pirata ali ao lado que nós devemos deixar de ser preguiçosos, e começar a usar GnuPG e encriptar e assinar o mail todo. Por mim não podia concordar mais. Mas a comunicação envolve sempre no mínimo duas partes, e portanto, por mais voltas que se lhe dê, no final a segurança da comunicação envolve também (pelo menos) duas partes.

Mas o que sucede quando apenas uma dessas partes tem a noção de que enviar emails sem encriptação e assinaturas digitais é como enviar postais sem envelope? O que sucede quando a outra parte nem faz ideia que isto seja um problema? Ou continua a achar que isto não é um problema, por muito que se explique o contrário? Ou simplesmente não tem o conhecimento suficiente para usar software como o GnuPG (mesmo que reconheça que existe um problema de privacidade)?

E por fim, o maior problema de todos: que sentido faz falar em privacidade, se nosso círculo social somos dos poucos (ou os únicos) a fazê-lo?

When did we get so lazy?

Comentários desligados Publicado em Coisas

A matemática do copyright ™

E um ponto de vista mais moderado (do que o meu), sobre o que é (e o que não é) “propriedade”:

It sounds ridiculous to us to treat smells as property. But I can imagine scenarios in which one could charge for smells. Imagine we were living on a moon base where we had to buy air by the liter. I could imagine air suppliers adding scents at an extra charge.

The reason it seems ridiculous to us to treat smells as property is that it wouldn’t work to. It would work on a moon base, though.

What counts as property depends on what works to treat as property. And that not only can change, but has changed. Humans may always (for some definition of human and always) have treated small items carried on one’s person as property. But hunter gatherers didn’t treat land, for example, as property in the way we do.

Comentários desligados Publicado em Coisas

A palestra do TED com que mais me identifico

Será talvez uma partida do destino que eu tenha vivido a última década—durante a qual me formei como engenheiro informático—observando como um dos instrumentos preferidos dos “introverts” se transformou num instrumento de socialização por excelência: computadores (devido a uma combinação entre internet e Apple).

Em tempos anteriores eu era um geek por “passar demasiado tempo ao computador”. Agora, por não (querer) ter smartphones, ou conta no Facebook, acabo por passar menos tempo online do que a maioria. Does that still make me a geek?

Se calhar eu é que apenas gosto de ser “do contra”. Mas como disse aquele irlandês:

The reasonable man adapts himself to the world; the unreasonable one persists in trying to adapt the world to himself. Therefore all progress depends on the unreasonable man.

Introverts for the win.